sábado, 26 de setembro de 2015

AS QUATRO NOITES DE SÃO JOÃO DA CRUZ

Um resumo da doutrina de São João da Cruz:
São João da Cruz fala de quatro "Noites", duas passivas e duas ativas; duas dos sentidos e duas do espírito.
São elas:

- noite ativa dos sentidos;
- noite ativa do espírito;
- noite passiva dos sentidos;
- noite passiva do espírito.

As duas primeiras são tratadas no livro "Subida do Monte Carmelo", e as duas últimas no livro "Noite Escura". As "Noites" são o mesmo que purificações. Noites "ativas" são aquelas purificações que a alma opera pelo seu próprio esforço e luta; é a parte ascética. Noites "passivas" são aquelas em que é Deus mesmo quem age e purifica; é a mística.
A "noite ativa dos sentidos", consiste em toda sorte de penitências e mortificações dos sentidos, procurando não sentir gosto ou prazer em nada que venha dos sentidos. João da Cruz resume essa etapa de mortificações dizendo que a alma deve em tudo imitar Cristo, e deve em tudo tentar assemelhar-se a Ele, que não buscou o que lhe agradava, que não tinha onde reclinar a cabeça, e que não tinha melhor alimento que não fosse fazer a vontade do Pai.
A "noite ativa do espírito" consiste numa purificação das três potências da alma: inteligência, vontade e memória. Consiste numa espiritualização dessas três faculdades, purificando-as por meio das três virtudes teologais. Assim, a fé deve purificar e substituir a inteligência; a caridade deve purificar e santificar a vontade; e a esperança deve purificar e espiritualizar a memória. João da Cruz costuma de maneira especial usar o termo "Noite Escura", para as "purificações passivas".
A "noite passiva do sentido", consiste num estado místico, ou numa forma de oração em que a alma nada sente, nada experimenta, nada prova. É um período de deserto, trevas, aridez, desolação e noite. A alma sente-se abandonada por Deus. Deus retira aquelas "doçuras" e "suavidades" que a alma costumava encontrar na oração. No entanto a alma que está na "noite passiva do sentido", está muito adiantada, e ela sente, as vezes, que nunca esteve tão próxima de Deus e da verdade como agora que anda nas trevas, na aridez e na escuridão. A "noite passiva do sentido" é a preparação para a "vida mística". A "vida mística" ou "oração mística", se caracteriza de maneira especial pela passividade. É quando a alma não fala mais, não discursa mais, não tem mais palavras e permanece em silêncio amoroso diante de Deus. O início da "oração mística", consiste na "oração de simples olhar". É quando a alma apenas olha e cala, mas tem a vontade firmemente fixa e presa no objeto do seu olhar. A "noite passiva do sentido" é a entrada na "vida mística"; é quando a alma entra em si mesma e só encontra trevas e vazio. No entanto, estas trevas e vazio, são cheias de luz. Pois a alma compreende que está bastante adiantada na vida espiritual, e também porque recebe muitas luzes e compreensões a respeito de Deus. A noite passiva do sentido é a entrada na via mística, pois prepara a passagem da meditação discursiva para a oração contemplativa (mística).
São João da Cruz nos dá três sinais sobre quando se está pronto para passar da oração discursiva, para a oração contemplativa:
- O 1º sinal é não poder meditar nem discorrer com a imaginação, nem gostar disso como antes; ao contrário só acha secura no que até então o alimentava e lhe ocupava o sentido.
- O 2º sinal é não ter vontade alguma de pôr a imaginação nem o sentido em outras coisas particulares, quer exteriores, quer interiores.
- O 3º sinal, e o mais certo, é gostar a alma de estar a sós com atenção amorosa em Deus, sem discorrer com o intelecto, em paz interior, quietação e descanso, sem atos e exercícios intelectuais; mas apenas com a atenção e advertência geral e amorosa em Deus.
No princípio, entretanto, quando começa este estado, quase não se percebe essa notícia amorosa. Primeiro, porque no começo, costuma ser a contemplação muito sutil e delicada e quase insensível; segundo, porque tendo a alma se habituado à meditação (discursiva), cujo exercício é totalmente sensível, com dificuldade percebe esse novo alimento insensível e puramente espiritual. Em geral, a passagem da oração discursiva (meditação) para a oração contemplativa ou mística, se dá após um longo período da "noite passiva dos sentidos".
A "noite passiva do espírito" consiste num tipo de sede ardente, ou de forte saudades de Deus. A alma toma forte consciência de seus defeitos e imperfeições e sente-se abrasada em uma imensa sede amorosa por Deus.
Essa é a última das purificações, ou noites; após vêm um estágio denominado Desposório Espiritual, e por fim o Matrimônio Espiritual, que é o estado mais elevado que se pode atingir nesta terra, e que consiste numa plena união com Deus e numa total divinização da alma.

fonte: Diário de Santa Teresinha do Menino Jesus

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